Halleluja! Lobe den HERRN!


Um estudo sobre a contagem bíblica do tempo do sábado
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Um Estudo sobre a Contagem Bíblica do Tempo do Sábado —

Quando o Sábado Realmente Começa?




O sábado é o sétimo dia abençoado e santificado por Deus. Os crentes não guardam o sábado para obter a salvação.

Antes, sob a graça, eles se lembram das grandes obras de criação e redenção de Deus e aguardam o descanso eterno que há de vir.

Hoje existem diferentes opiniões sobre quando o sábado começa e termina.

Alguns seguem a tradição judaica posterior e observam o sábado desde o pôr do sol de sexta-feira até o pôr do sol de sábado.

Alguns o calculam de acordo com a hora local do pôr do sol ou com o aparecimento das estrelas.

Outros seguem o calendário civil moderno e usam a meia-noite como limite do dia, isto é, o ponto divisório entre um dia e o seguinte.

Outros, com base em várias passagens bíblicas, creem que um dia completo começa com o período diurno, continua pela tarde e pela noite e termina quando começa o período diurno seguinte.

Segundo esse entendimento, o sábado do sétimo dia começaria durante o dia de sábado e terminaria no início do dia de domingo.

Este estudo examina se esta última interpretação possui apoio bíblico e histórico.

1. Como um “Dia” É Formado em Gênesis?

Gênesis 1:3–5 registra:

Disse Deus: “Haja luz”; e houve luz. Deus viu que a luz era boa e separou a luz das trevas. Deus chamou à luz Dia, e às trevas chamou Noite. E houve tarde e houve manhã: o primeiro dia.

Comumente se supõe que, porque o texto diz “houve tarde e houve manhã”, o dia necessariamente começa à tarde.

Entretanto, uma leitura cuidadosa da sequência do primeiro dia em Gênesis permite outra possibilidade.

No princípio da criação, a terra era sem forma e vazia, e havia trevas sobre a face do abismo. As trevas já existiam, mas a luz que Deus criou e distinguiu ainda não havia aparecido. Deus disse: “Haja luz”, e somente então houve luz. Depois Deus separou a luz das trevas, chamando à luz “Dia” e às trevas “Noite”.

Portanto, a sequência real do primeiro dia pode ser entendida assim:

Trevas iniciais → Deus cria a luz → Dia → Tarde → Noite → Manhã → Primeiro dia concluído

Isso não é exatamente o mesmo que dizer que o próprio dia começou à tarde.

A “tarde” é a transição pela qual a luz do dia termina e a noite começa, enquanto a “manhã” é a transição pela qual a noite termina e a luz do dia começa novamente.

Portanto, a declaração:

“Houve tarde e houve manhã: o primeiro dia”

também pode ser entendida no sentido de que um dia completo da criação passou pelo período diurno, pela tarde e pela noite, até chegar a manhã. Nesse ponto, o primeiro dia foi concluído e o dia seguinte começou.

A partir do segundo dia, portanto, um dia pode ser representado assim:

Luz do dia → Tarde → Noite → Manhã

Isto é, o dia começa pela manhã, por volta do amanhecer, e termina na manhã seguinte.

Essa interpretação não é apenas uma ideia moderna. Alguns estudiosos judeus e bíblicos argumentaram que o antigo Israel talvez tenha usado originalmente uma contagem do dia de manhã a manhã.

2. O Dia da Expiação: “De Tarde a Tarde” É a Contagem Geral de um Dia ou uma Observância Especial?

Levítico 23:27 diz:

No décimo dia deste sétimo mês haverá o Dia da Expiação.

Contudo, Levítico 23:32 dá a ordem especial:

Desde a tarde do nono dia do mês até a tarde seguinte, celebrareis o vosso sábado.

Essa é uma passagem muito significativa.

Se “a tarde do nono” já fosse o começo do décimo dia, por que o texto ainda a chama de:

a tarde do nono dia

em vez de “a tarde do décimo dia”?

Outra possível interpretação é que o limite normal da data permanecia pela manhã, enquanto o jejum especial e a aflição pessoal exigidos para o Dia da Expiação começavam mais cedo, na tarde do nono dia, e continuavam até a tarde do décimo.

Assim:

Período diurno do dia 9 → Tarde do dia 9 [começa o jejum] → Período diurno do dia 10 [Dia da Expiação] → Tarde do dia 10 [termina o jejum]

Segundo esse entendimento, “de tarde a tarde” define:

o período especial de observância do Dia da Expiação

e não necessariamente:

o limite de todos os dias

Essa distinção é importante.

A Bíblia não diz:

“Todo sábado deve ser observado de tarde a tarde.”

Levítico 23:32 diz respeito especificamente ao Dia da Expiação, que também traz a ordem singular de afligir-se.

Portanto, transformar esse versículo em regra universal para o sábado semanal requer apoio bíblico adicional.

3. A Relação entre “Aquele Dia” e a “Manhã”

Várias passagens da Lei de Moisés merecem atenção especial.

Levítico 7:15 diz que a carne da oferta de ação de graças deve ser comida no dia em que for oferecida e não deve ser deixada até a manhã.

Levítico 22:30 diz novamente:

No mesmo dia se comerá; nada deixareis dela até a manhã.

Deuteronômio 21:23 também ordena:

O seu corpo não permanecerá toda a noite no madeiro; certamente o sepultarás naquele mesmo dia.

Essas passagens apresentam naturalmente a sequência:

Aquele dia → Tarde → Noite → Manhã

Elas indicam que a tarde e a noite ainda pertencem àquele dia, enquanto a chegada da manhã marca o começo do dia seguinte.

Portanto, o sacrifício podia ser comido durante a tarde e a noite daquele mesmo dia, mas não podia permanecer até a manhã. Essa redação é compatível com a manhã funcionando como o limite além do qual a exigência referente àquele dia já não se aplicava.

Essa linguagem apoia mais diretamente o entendimento de que um dia começa pela manhã, por volta do amanhecer, continua pela tarde e pela noite e termina pela manhã.

No mínimo, essas passagens sugerem que a manhã pode funcionar como limite do dia, o ponto divisório entre um dia e o seguinte.

4. Êxodo 16, o Maná e a Primeira Observância do Sábado Registrada

Êxodo 16 é uma das passagens mais importantes para o estudo do horário do sábado.

O povo saía todas as manhãs para recolher o maná. No sexto dia, recolheu o dobro.

Moisés lhes disse:

Amanhã é repouso sabático, sábado santo ao Senhor.

O povo guardou o alimento:

até a manhã.

Então, pela manhã, Moisés disse:

Comei-o hoje, pois hoje é sábado ao Senhor.

A narrativa apresenta a seguinte sequência:

Sexto dia: recolhe-se porção dobrada → Passa a noite → Manhã → “Hoje” é o sábado

Essa é uma das passagens principais em que Deus, por meio de Moisés, ensina formalmente Israel a observar o sábado.

É significativo que a passagem não registre Moisés anunciando ao pôr do sol do sexto dia:

“O sábado começou agora.”

Em vez disso, na manhã seguinte, o sétimo dia é descrito assim:

“Hoje é o sábado.”

Isso é compatível com uma contagem baseada na manhã e pode apoiá-la, embora, por si só, não determine o início preciso do sábado.

5. O Fechamento das Portas por Neemias Não Prova, por Si Só, que o Sábado Começava ao Pôr do Sol

Neemias 13:19 registra:

Quando as portas de Jerusalém começaram a escurecer antes do sábado, ordenei que fossem fechadas e que não fossem abertas até depois do sábado.

Essa passagem é frequentemente usada para provar que o sábado começava ao pôr do sol.

Contudo, o próprio texto diz:

antes do sábado

Neemias fechou as portas antecipadamente, durante o escurecer anterior ao sábado. Isso pode ser naturalmente entendido como medida preventiva para impedir que mercadores levassem mercadorias à cidade durante a noite a fim de negociar no sábado seguinte.

Portanto:

Fechar as portas ao anoitecer ≠ prova de que o próprio anoitecer fosse o começo do sábado

A passagem é compatível com uma interpretação de início ao pôr do sol, mas não prova, por si só, que o pôr do sol fosse o limite do dia.

6. O Horário do Sepultamento do Senhor Jesus Levanta uma Questão Importante

O Sepultamento do Senhor Jesus: a Tarde do Dia da Preparação e a Aproximação do Sábado

Marcos 15:42 registra:

“Ao cair da tarde, por ser o Dia da Preparação, isto é, o dia anterior ao sábado…”

A sequência temporal desse versículo merece cuidadosa atenção.

O texto diz explicitamente que:

a tarde já havia chegado

e, contudo, o mesmo período ainda é chamado de:

“o Dia da Preparação, isto é, o dia anterior ao sábado”.

Em outras palavras, segundo a leitura mais natural da narrativa, a tarde já havia chegado, mas ainda era o Dia da Preparação, e o sábado ainda não havia começado.

José de Arimateia foi então a Pilatos e pediu o corpo do Senhor Jesus. Pilatos admirou-se de que Ele já tivesse morrido; por isso, chamou o centurião e perguntou se já havia algum tempo que Ele estava morto. Somente depois de receber a confirmação, Pilatos entregou o corpo a José.

Ainda precisava ocorrer uma série de procedimentos funerários. José tinha de:

comprar linho fino → descer o corpo → preparar o corpo → envolvê-lo no linho → colocá-lo num túmulo escavado na rocha → rolar uma pedra contra a entrada

João 19:39–40 registra ainda que Nicodemos chegou com grande quantidade de mirra e aloés, e juntos eles:

prepararam o corpo de Jesus com as especiarias, segundo o costume judaico de sepultamento.

Portanto, desde quando a tarde já havia chegado e José foi primeiro a Pilatos pedir o corpo, passando pela consulta de Pilatos ao centurião, a liberação do corpo e todos os preparativos funerários feitos por José e Nicodemos, deve ter transcorrido um tempo considerável.

Depois de descrever esses acontecimentos, Lucas 23:54 declara:

“Era o Dia da Preparação, e o sábado se aproximava.”

Esse versículo merece atenção especial.

O verbo grego traduzido por “se aproximava” é ἐπέφωσκεν (epéphōsken), de ἐπιφώσκω (epiphōskō). A palavra está associada ao aparecimento da luz, ao começo do clarear do dia ou à aproximação da aurora.

Assim, quando se considera o sentido básico da palavra, a narrativa de Lucas levanta uma questão importante, digna de investigação:

O sepultamento do Senhor Jesus começou durante a tarde do Dia da Preparação, continuou por algum tempo durante a noite e terminou quando a manhã se aproximava, estando o sábado do sétimo dia prestes a “amanhecer”?

Se assim foi, a sequência cronológica seria coerente:

Dia da Preparação durante a luz do dia: o Senhor é crucificado → A tarde chega, mas ainda é chamada Dia da Preparação → José pede o corpo → José e Nicodemos preparam e sepultam o corpo do Senhor → O sábado se aproxima

Essa interpretação merece ser comparada à opinião tradicional de que o sábado começava imediatamente ao pôr do sol de sexta-feira.

Marcos afirma explicitamente que a tarde já havia chegado enquanto o período ainda era chamado “Dia da Preparação, o dia anterior ao sábado”. Lucas, após descrever o sepultamento, usa então um verbo associado à luz ou à aurora para descrever a aproximação do sábado.

É claro que toda a questão da contagem do sábado não pode ser resolvida apenas pela palavra grega ἐπέφωσκεν. Também devem ser examinados o uso da palavra em diferentes contextos e os métodos de contagem dos dias entre os judeus do primeiro século.

Ainda assim, quando essas duas passagens são lidas em conjunto, levantam uma pergunta que não deve ser descartada levianamente:

Se o sábado já havia começado imediatamente após o pôr do sol de sexta-feira, por que Marcos, depois de dizer que a tarde havia chegado, ainda chama esse período de “Dia da Preparação, o dia anterior ao sábado”? E por que Lucas, perto da conclusão do sepultamento, usa um verbo associado à luz e à aurora para descrever a aproximação do sábado?

Portanto, o relato do sepultamento do Senhor Jesus merece séria consideração no estudo sobre se o sábado começava à tarde ou no período diurno.

7. Mateus 28:1: “Depois do Sábado, ao Amanhecer do Primeiro Dia”

Mateus 28:1 é outra passagem muito importante.

O texto grego descreve o momento assim:

depois do sábado, quando amanhecia para o primeiro dia da semana.

Segundo a sequência cronológica mais natural:

Sábado concluído → A noite intermediária chega ao seu limite matutino → O primeiro dia amanhece

Isso se ajusta naturalmente ao entendimento de que o primeiro dia começa ao amanhecer.

Os quatro Evangelhos registram que as mulheres foram ao túmulo bem cedo no primeiro dia da semana.

Se o sábado tivesse terminado completamente ao pôr do sol de sábado, por que as mulheres não foram imediatamente ao túmulo na tarde de sábado, em vez de esperar até cedo no primeiro dia?

Pode-se responder razoavelmente que segurança, escuridão, iluminação ou outras considerações práticas explicariam o atraso. Portanto, esse ponto isolado não é decisivo.

Entretanto, quando lido com as outras passagens, ele continua significativo.

8. João 20:19: “Naquele Mesmo Dia, o Primeiro da Semana, à Tarde”

João 20:19 registra:

“Então, ao cair da tarde daquele mesmo dia, o primeiro da semana…”

Segundo o sistema judaico posterior, de pôr do sol a pôr do sol, a tarde de domingo após o pôr do sol teoricamente já pertenceria ao segundo dia.

Contudo, João ainda diz:

“ao cair da tarde daquele mesmo dia, o primeiro da semana”.

Isso mostra, pelo menos, que um escritor do Novo Testamento podia descrever a tarde seguinte ao período diurno como ainda pertencendo ao mesmo “dia”.

Naturalmente, alguns intérpretes entendem “naquele mesmo dia” apenas como referência narrativa ao dia da ressurreição, e não como definição técnica do calendário.

Portanto, essa passagem é mais bem usada em conjunto com outras evidências, e não como prova isolada.

9. Passagens do Novo Testamento em que “o Dia Seguinte” Vem Depois da Tarde ou da Noite

O Novo Testamento contém vários padrões narrativos semelhantes.

Marcos 11 registra que a tarde havia chegado e depois fala do “dia seguinte”.

João 6 primeiro declara que a tarde havia chegado e que já estava escuro, e somente depois fala do “dia seguinte”.

Atos 4 registra que, como já era tarde, os apóstolos foram detidos até “o dia seguinte”.

Atos 23 descreve Paulo sendo escoltado durante a noite e depois se refere ao “dia seguinte”.

Essas narrativas não devem ser tratadas todas como fórmulas rígidas de calendário.

Todavia, elas demonstram que:

a tarde e a noite não eram necessariamente tratadas de forma automática pelos escritores bíblicos como o começo do dia seguinte.

10. As “Doze Horas” do Período Diurno e a Contagem do Tempo Baseada na Manhã

O Senhor Jesus disse:

“Não há doze horas no dia?”
— João 11:9


O Novo Testamento frequentemente menciona a hora terceira, a hora sexta e a hora nona.

Segundo o sistema judaico de dividir o período diurno em doze partes:

a hora terceira era aproximadamente 9h;
a hora sexta, aproximadamente meio-dia;
a hora nona, aproximadamente 15h.


Isso mostra que a contagem comum das horas diurnas no mundo antigo começava por volta da manhã ou do nascer do sol.

Entretanto, deve-se manter uma distinção importante entre:

o ponto inicial da contagem das doze horas de luz

e

o limite de um dia completo de vinte e quatro horas do calendário

Os dois não são necessariamente idênticos.

Portanto, essa evidência pode fornecer apoio contextual para uma interpretação baseada na manhã, mas não deve ser usada isoladamente para provar que todo dia precisa começar exatamente às 6h.

Para a observância prática atual, usar aproximadamente 6h–7h, hora-padrão local, como limite operacional pode oferecer um sistema consistente, mas deve-se declarar claramente que isso é:

um método prático de aplicação, não um mandamento bíblico que especifique exatamente 6h.

11. Dia e Noite Retornam Continuamente nos Tempos que Lhes Foram Determinados

Jeremias 33 contém duas declarações importantes a respeito da ordem do dia e da noite estabelecida por Deus.

Jeremias 33:20 diz:

“Assim diz o Senhor: Se puderdes invalidar a Minha aliança com o dia e a Minha aliança com a noite, de modo que o dia e a noite não venham no tempo que lhes foi determinado…”

Jeremias 33:25 novamente se refere:

à aliança de Deus com o dia e a noite e à ordem fixa dos céus e da terra.

Essas passagens descrevem o dia e a noite como dois períodos distintos, mas regularmente recorrentes, governados pela ordem estabelecida por Deus:

O dia chega no tempo determinado → A noite chega no tempo determinado → O dia retorna novamente

A mesma associação natural aparece repetidamente em expressões bíblicas que descrevem períodos contínuos de tempo:

três dias e três noites — 1 Samuel 30:12; Jonas 1:17; Mateus 12:40;

sete dias e sete noites — Jó 2:13;

quarenta dias e quarenta noites — Gênesis 7:4, 12; Êxodo 24:18; 34:28; Deuteronômio 9:9, 18; 1 Reis 19:8; Mateus 4:2.

Nessas expressões, “dia” normalmente indica o período de luz, e “noite”, o período de escuridão. Juntos, eles descrevem uma sucessão ininterrupta de período diurno e período noturno.

O padrão bíblico repetido de dias e noites é, portanto, compatível com a sequência:

Luz do dia → Tarde → Noite → Retorno da luz do dia

Essa evidência não estabelece, por si só, o limite técnico exato de cada data do calendário. Mostra, porém, que a Bíblia trata repetidamente a luz do dia e a noite que a segue como períodos que correspondem naturalmente entre si ao descrever a passagem de dias completos.

Quando considerado junto com Gênesis 1, as leis sobre aquilo que não deve permanecer até a manhã e as outras passagens examinadas neste estudo, esse padrão recorrente de dia e noite oferece apoio adicional para investigar se a sequência bíblica pode ser entendida como o período diurno seguido pela noite, tornando-se identificável o ciclo seguinte quando a luz do dia retorna.

12. Já Existiam Disputas sobre o Calendário no Período do Segundo Templo

Ao estudar os antigos calendários judaicos, é preciso lembrar um fato histórico importante:

O antigo Israel não usou necessariamente um único sistema de calendário imutável ao longo de toda a sua história.

O Livro dos Jubileus e as tradições astronômicas refletidas em 1 Enoque dão grande ênfase a um calendário solar de 364 dias.

Um ano de 364 dias consiste exatamente em:

52 semanas completas.

Jubileus 6 chega a advertir que, se as pessoas determinarem as datas segundo a observação lunar, as festas e os sábados poderão cair em desordem.

Isso demonstra que existiam importantes disputas de calendário na sociedade judaica durante o período do Segundo Templo.

Portanto, ainda que algumas passagens de Jubileus reflitam um sistema no qual uma nova data começava após o pôr do sol, isso não pode ser usado inversamente para provar que:

“Esse era necessariamente o sistema original de Moisés.”

O próprio Livro dos Jubileus é uma obra do período do Segundo Templo e reflete uma tradição específica daquele período.

13. Alguns Estudiosos Judeus Modernos Também Defenderam um Antigo Limite Matutino do Dia em Israel

Vários estudiosos judeus importantes do século XX examinaram essa questão.

Julian Morgenstern argumentou que o antigo Israel outrora contava o dia desde o nascer do sol ou a aurora até o nascer do sol ou a aurora seguinte, e que o sistema de pôr do sol a pôr do sol se desenvolveu posteriormente.

Jacob Z. Lauterbach propôs uma opinião semelhante, argumentando que a contagem do dia no Israel anterior ao exílio não era necessariamente idêntica ao sistema rabínico posterior e que algumas práticas do Templo preservavam um princípio mais antigo, segundo o qual a noite seguia o período diurno precedente.

P. J. Heawood também discutiu a possibilidade de um limite matutino do dia por meio das leis sacrificiais, de Gênesis e de passagens do Novo Testamento.

Esses estudos não provam que os estudiosos modernos tenham chegado a uma conclusão unânime.

Entretanto, demonstram que:

a opinião de que o antigo Israel talvez tenha usado originalmente um limite matutino do dia não é apenas uma invenção moderna sem precedente acadêmico.

É uma posição formalmente proposta e discutida em estudos acadêmicos.

14. A Paixão do Senhor e “o Terceiro Dia”

Os quatro Evangelhos identificam o dia da crucificação do Senhor Jesus como:

o Dia da Preparação.

O Senhor também predisse repetidamente que ressuscitaria:

ao terceiro dia.

Em Lucas 24:21, na tarde do primeiro dia da semana, os dois discípulos no caminho de Emaús disseram:

“Hoje é o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram.”

Se a crucificação ocorreu na sexta-feira:

Sexta-feira = primeiro dia
Sábado = segundo dia
Domingo = terceiro dia


Isso concorda naturalmente com a expressão “ressuscitado ao terceiro dia”.

Portanto, não é necessário transferir a crucificação para quinta-feira apenas para explicar a expressão “três dias e três noites”.

15. “Três Dias e Três Noites no Coração da Terra” Não Significa Necessariamente “Sepultado por Três Dias e Três Noites Completos”

Mateus 12:40 diz:

“Assim estará o Filho do Homem três dias e três noites no coração da terra.”

A expressão é:

“no coração da terra”

em vez da expressão comum para “dentro de um túmulo debaixo da terra”.

Quando o Senhor foi preso no Getsêmani, Ele disse:

“Esta é a vossa hora e o poder das trevas.”
— Lucas 22:53


Portanto, uma possível interpretação espiritual é que, desde o momento da Sua prisão na noite de quinta-feira, o Senhor já havia entrado no período em que foi submetido aos poderes deste mundo e ao “poder das trevas”.

Assim:

Quinta-feira à noite
Sexta-feira durante o dia
Sexta-feira à noite
Sábado durante o dia
Sábado à noite
Domingo de manhã cedo, por volta do amanhecer


podem ser contados como:

três noites e três períodos diurnos

enquanto o Senhor ainda foi:

crucificado na sexta-feira e ressuscitado ao terceiro dia, no domingo.

Essa interpretação permite que tanto “três dias e três noites” quanto “ressuscitado ao terceiro dia” permaneçam verdadeiros sem alterar a designação do dia da crucificação nos Evangelhos como o Dia da Preparação.

16. Uma Estrutura Comparativa de Setenta e Duas Combinações Possíveis

Se as seguintes variáveis forem organizadas em diferentes combinações:

se um dia segue a sequência noite–dia ou dia–noite;

se o Senhor padeceu no quarto, quinto ou sexto dia da semana;

se Ele ressuscitou durante a noite do sétimo dia, o período diurno do sétimo dia, a noite do primeiro dia ou o período diurno do primeiro dia;

e se os “três dias e três noites” são contados a partir do sepultamento, da morte ou da prisão;

então o número total de combinações teóricas é:

2 × 3 × 4 × 3 = 72 possibilidades.

Essas possibilidades podem então ser comparadas com quatro condições bíblicas:

o Senhor ressuscitou ao terceiro dia;
Ele esteve três dias e três noites no coração da terra;
a tarde do primeiro dia ainda foi chamada de terceiro dia;
a tarde do dia da crucificação ainda foi chamada de Dia da Preparação.


Essa estrutura é uma ferramenta comparativa, e não uma prova matemática, pois as variáveis são interpretativas e não são necessariamente independentes. Entre as premissas examinadas aqui, a combinação que parece atender com maior coerência às quatro condições é:

O dia começa com o período diurno; o Senhor foi preso na quinta-feira à noite; padeceu na sexta-feira; ressuscitou cedo na manhã de domingo; e os “três dias e três noites” são contados desde o momento em que Ele entrou sob o poder das trevas na quinta-feira à noite.

Esse resultado corresponde de perto às conclusões extraídas das passagens anteriores.

17. Conclusão

Quando Gênesis, a Lei de Moisés, os livros históricos, os Evangelhos, outras narrativas do Novo Testamento, a literatura do Segundo Templo e os estudos da antiga contagem do calendário judaico são considerados em conjunto, surge uma conclusão digna de séria consideração:

Não há nenhum versículo na Bíblia que declare explicitamente: “O sábado semanal deve ser sempre observado desde o pôr do sol de sexta-feira até o pôr do sol de sábado.”

Ao contrário, numerosas passagens apresentam padrões nos quais:

a manhã traz o significado do começo de um novo dia; a luz do dia é seguida pela tarde e pela noite, e depois pela manhã seguinte; depois que o sexto dia passa pela noite, a manhã seguinte é chamada de “hoje, o sábado”; e, em certas narrativas do Novo Testamento, uma tarde ainda está associada ao mesmo dia anterior.

A ordem de Levítico 23 para observar o Dia da Expiação “de tarde a tarde” é um regulamento especial para aquele dia santo específico e não deve, sem outras evidências, ser automaticamente tratada como a fórmula universal do limite do dia para todo sábado semanal.

Portanto, pode-se razoavelmente propor que:

o sábado do sétimo dia pode ser razoavelmente entendido como abrangendo todo o sétimo dia — desde o início do período diurno de sábado, passando pela tarde e pela noite de sábado, até começar o período diurno de domingo.

Na observância prática atual, como os horários do nascer do sol variam conforme a estação e a latitude, e algumas regiões passam por períodos sem nascer ou pôr do sol normal, o uso aproximado de 6h–7h, hora-padrão local, como limite prático pode oferecer consistência.

Entretanto, o mais importante não é discutir por alguns minutos ou segundos, mas reconhecer que:

o sábado é o sétimo dia abençoado por Deus.

A sexta-feira é o Dia da Preparação, quando os crentes se preparam física e espiritualmente para receber o sábado. Desde o começo da luz do sétimo dia até o começo da luz do dia seguinte, eles se lembram da criação e da redenção de Deus, desfrutam do descanso que Ele concedeu sob a graça e aguardam o descanso eterno que há de vir.

“Se desviares o teu pé do sábado, de fazer a tua vontade no Meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso e ao santo dia de Deus, digno de honra, e o honrares, não seguindo os teus próprios caminhos, nem buscando a tua própria vontade, nem falando as tuas próprias palavras; então te deleitarás em Deus; e Ele te fará cavalgar sobre as alturas da terra e te sustentará com a herança de Jacó, teu pai; porque a boca de Deus o disse.”

— Isaías 58:13–14